ÓCIO SEM DIGNIDADE
O sociólogo italiano Domenico De Mais, do
alto dos seus 82 anos, deve estar muito feliz, ao ver toda a humanidade
entregue ao ócio, embora não seja “criativo”, mas pura “paúra” (do italiano,
medo) de um “vírus” (do latim, veneno, peçonha). Mas, infelizmente, este “otium
cum dignitate”, na expressão de Marco Túlio Cícero, (da Roma Antiga), durará
muito pouco tempo, até que a fome, a falência e a miséria obriguem a todos a
retornarem às torturas do Trabalho e às sevícias do Serviço!... Que pena!!!...
Mas, a propósito, cabe aqui transcrever um soneto de minha humilde lavra:
DOLCE
FAR NIENTE
Cáspite!
Neste múnus aturado,
como
Sísifo... deu-me dar no pé,
abalar,
abancar, bancar veado,
pôr
sebo nas canelas... não dá pé!
Homessa!
Não sou lorpa, atoleimado,
babaquara,
papalvo nem mané.
“Servitiu”
implica em ser escravizado.
“Tripaliare”
é sevícia e pontapé.
Tributo
é joio pérfido do erário;
é
vindima famélica, por cima
da
jeira miseranda do salário.
Porém,
no mandriar, não sou beócio.
Quero
criar, nos estros, muita rima...
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ABAIXO A LIDA FÓSSIL!... VIVA O ÓCIO!...
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