O FANTÁSTICO MUNDO DOS ESCRAVOS!...
Da mesma forma como no caso dos chifres
dos cornudos, as algemas dos escravos não precisam necessariamente ser motivo
de vergonha, desde que se as use com certa tolerância e dignidade. As correntes
podem até mesmo se tornarem motivo de orgulho. Inclusive ficam muito bem em
algumas pessoas como adereço pessoal, tipo gargantilhas ou braceletes. Não há
nada demais em estar na condição de escravizado, posto que, afinal de contas, é
a situação da esmagadora maioria das pessoas. Estar preso a cadeias opressoras
é algo até mesmo meritório, pois revela o altruísta espírito de
serviço-servidão que se presta aos dominadores. Estes ficam muito gratos e
felizes por verem os seus dominados tão submissos e conformados! E é sempre bom
fazer o bem aos outros, não é mesmo?! Portanto, toda vez que você reparar nos
seus grilhões, não se avexe e nem se revolte. Pelo contrário. Pense que tais
coerções e coações servem para enaltecer esta maravilhosa sociedade que faz das
sujeições e das repressões o seu grande apanágio!
Já ia me esquecendo! Além destas amarras,
temos também as mordaças. Ultimamente eu tenho ficado agradavelmente surpreso
por ver que nas ruas praticamente todo mundo está com máscaras a tapar não só
as bocas (induzindo-as ao silêncio e fazendo-nos lembrar do anexim “falar é
prata, calar é ouro”) como também os narizes (sensatamente impedindo-as de
aspirar os proibidos e perigosos ares da liberdade). Como tais pessoas são
gentis! – recordando o que disse o Dr. Shiva Ayyadurai. Chega a ser tocante ver
a resignação estoica com que usam tão incômodo acessório facial! Vamos torcer
para que este vírus assassino continue ainda por bastante tempo na sua faina
destruidora só para continuarmos a assistir a este espetáculo tão emocionante e
carnavalesco dos mascarados a imitar os arlequins da Commedia dell'arte.
Ah! ainda tem mais! Não existem algemas e
mordaças sem as grades. Que pena que está terminando a prisão domiciliar
decretada pelos nossos poderosos e extraordinários algozes e sabiamente acatada
por esta população tão ordeira e obediente! Foi maravilhoso ver no mundo
inteiro as famílias quietinhas dentro de suas casas, sem ousar colocar os pés
para fora, demonstrando um elevado senso de submissão cívica! Mas, enfim, tudo
o que é bom dura pouco, infelizmente! Quem sabe, num futuro próximo, não
apareça uma outra pandemia tão ou mais devastadora do que a atual, que obrigue
todos nós a nos sepultarmos para sempre no sagrado recesso de nossos lares e de
lá nunca mais sairmos! É o que espero.
(Marcos Nunes Filho)
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